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Archive for maio \28\UTC 2013

Amigos: o verbo no infinitivo!

amizade2

Amigo:

Palavra companheira de todas as horas, confidente fiel, ombro para chorar, decisões para tomar, lugares para frequentar, idéias para compartilhar, mares a velejar, caminhos a desbravar… pena ser só uma palavra, uma esperança perdida no tempo.

Como é possível os anos atrapalharem tanto um sentimento, um relacionamento, uma irmandade iniciada há tanto tempo? Por que as pessoas se vão e levam consigo um pedaço da sua vida, uma lembrança que nunca voltará? É isso que acontece com as amizades de todo mundo. Se você nunca passou por isso, considere-se um vencedor de loteria, porque tem o maior prêmio que a vida pode dar!

Recentemente conversando com um amigo pude refletir sobre a amizade e lembrei de algumas pessoas que cresceram comigo, outras que entraram na minha vida num momento que eu mais precisei, outras que chegaram de um modo estranho e tantas outras, mas uma coisa é certa: ninguém permaneceu! Já outras que apesar da falta de convívio sempre estarão lá, quando eu precisar, seja para um favor, um desabafo, um conselho, uma oração…

Lembro com muito carinho meus amigos desde que nasci, pois esse é um valor que deveria ser preservado para sempre. Por que um namoro tem que atrapalhar uma amizade? Por que um emprego tem que atrapalhar as saídas de fim de semana? Por que os estudos se intrometem tanto e modificam seu pensamento? Pois é isso que acontece:

Você começa a namorar e parece que os amigos já não tem a mesma importância, abrindo espaço para uma pessoa só ocupar. Pessoa essa que você nem sabe se ficará do seu lado para sempre;

Você começa a trabalhar e se sente importante, adulto, não dando mais espaço para as brincadeiras de esconde-esconde ou os jogos em casa em dias de chuva;

Você começa a faculdade, por exemplo, e os trabalhos ocupam os lugares que antes eram da sorveteria, do cinema e do pastel na feira.

O mais interessante, e o mais preocupante, é que em todos esses casos aparecem pessoas que ficarão por tempo determinado ao seu lado. Que não se importam com o que você está sentindo e que não vão chamar sua mãe para vir ajudar quando você cair da bicicleta chamada ‘vida’ e ralar o joelho chamado ‘problemas’! Essas pessoas não estão nem aí e você as dá uma importância maior do que dava quando você ansiava na porta da casa do amigo para brincar na rua.

Não entendo mesmo o que acontece com as pessoas, suas prioridades na vida e suas amizades. Só sei que sinto falta dos meus amigos de infância e dos amigos que ficaram do meu lado por muito tempo, e que hoje tem suas vidas muito ocupadas para mim, ou para ler esse desabafo.

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Sons de agradecimento

Hoje me encontrava em meio a mais uma visita à minha sogra no leito de uma UTI, vi uma cena que me chamou a atenção. Em meio àqueles pacientes pálidos por não apreciarem a luz do sol há muito tempo e inchados de tanta medicação em suas esgotadas veias, um dos pacientes (mais conhecido entre o corpo médico como “Paciente do Leito 08”) cumpria mais um ano de vida.

Sabe Deus o que aconteceu com este rapaz de meia idade que comprometeu sua fala e parte de seus movimentos. Mesmo assim, não pôde evitar um sorriso ao ver três de seus familiares com três ou quatro singelas bexigas vermelhas, um pequeno bolo de chocolate e duas garrafas de Coca-Cola 2 Litros se aproximando de seu leito gélido para comemorar mais um ano de vida.

Talvez tenha sido a mais fajuta de suas festas de aniversário, mas com certeza foi a mais importante, porque recebeu de presente nada mais que a certeza do amor daquelas pessoas, que muitas vezes é omitido no passar dos dias, meses e anos.

Afirmando que sim com a cabeça à pergunta da enfermeira que via tudo da cadeira em frente, ela trouxe no mesmo instante um pedaço daquele bolo para ele experimentar e um copo pequeno de refrigerante. Em pequenas garfadas e goles providenciados pela enfermeira, ele ficou saciado com aquele acontecido e não conteve as lágrimas. Nem eu…

Pude notar em sua cabeceira um cartão colorido feito à mão pelos seus familiares com giz de cera e lápis de cor. Com o mesmo gesto, ele agradeceu humildemente escrevendo, à caneta, com suas letras garrafais num pequeno caderno disponível para ele se comunicar.

Em meio a soluços emotivos, alguns barulhos soaram de sua traqueostomia. Creio que esses foram sua forma de dizer “MUITO OBRIGADO” uma última vez antes de terminar o horário de visitas e se despedir daqueles que, agora ele tem certeza, o amam de verdade.

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