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Archive for março \19\UTC 2015

Está fora de cogitação a importância que as redes sociais virtuais desempenham hoje nos rumos de nossa vida, seja ela profissional, pessoal ou política. São indiscutíveis também os avanços que introduziram nas comunicações, favorecendo o reencontro e a aproximação entre as pessoas e, se forem redes profissionais, facilitando a visibilidade e a circulação de pessoas, serviços e, por que não, produtos no mercado de trabalho? A velocidade com que as notícias são propagadas, a abrangência territorial alcançada e a imensa quantidade de pessoas que são atingidas ao mesmo tempo estavam fora do pensamento da população há uma década atrás. Temos sido testemunhas, e também alvo, do seu poder de convocação e mobilização, assim como da sua eficiência em estabelecer interesses comuns rapidamente, a ponto de atuarem como disparadoras das várias manifestações e movimentos populares em todo o mundo atual, como por exemplo, a convocação para a manifestação no último dia 15, em todo o território brasileiro, contra a corrupção.
Estar nas redes sociais hoje, não significa apenas que estamos nos expondo como mini Narcisos, mas sim, como membros atuantes na sociedade e engajados em discussões mais sérias, como a política. Essa mudança de hábito, ou melhor, esse “vício” em redes sociais também traz mudanças de costumes, porque seu peso, associado ao desenvolvimento da informática, é semelhante à introdução da imprensa, da máquina a vapor ou da industrialização na dinâmica do nosso mundo. As redes sociais provocam mudanças a fundo no nosso comportamento social e político. Isso merece a nossa atenção, pois acredito que uma característica das redes sociais é, por mais contraditório que pareça, a implantação do isolamento como padrão para as relações humanas, e isso é preocupante.
Ao participar das redes sociais acreditamos ter muitos amigos à nossa volta, sermos populares, estarmos ligados a todos os acontecimentos e participando efetivamente de tudo. Isso é uma verdade, mas também uma ilusão, porque essas conexões são superficiais e instáveis. Os contatos se formam e se desfazem com imensa rapidez; os vínculos estabelecidos são voláteis e atrelados a interesses momentâneos.
Além disso, as relações cultivadas nas redes sociais se baseiam na virtualidade, portanto, no distanciamento físico entre as pessoas. Isso nos permite, com facilidade, entrar em contato com as pessoas e afastá-las quando bem quisermos. Tal virtualidade garante comunicação sem intimidade. Como você explica a amizade com uma pessoa virtual, e quando estão frente-a-frente, não trocam uma palavra? Pode um ser humano não precisar mais da proximidade física do outro?
Se uma pessoa viver isolada, ela vai cada vez mais perder a capacidade de se expor e de agir, argumentar e se comunicar, tornando-a um outro tipo de escrava: a da própria ilusão. As recentes manifestações populares embora devam sua ocorrência às redes sociais, mantêm o caráter do individualismo e do isolamento, pois os participantes não criam vínculos entre si. Expressam suas opiniões, caminham juntos, e só, ficam apenas nisso. Não se encontram posteriormente para discutir o que foi manifestado, nem sequer olham nos olhos de quem andou do lado pelas ruas.
Para confirmar o que estou dizendo, basta olhar para o lado, nas superlotações dos ônibus e dos metrôs. A maioria das pessoas estão conectadas em seus aparelhos celulares, que deixaram de ser apenas um telefone móvel para serem mini computadores, máquinas digitais, e o meio de acesso às redes sociais mais usado no mundo. Esses equipamentos para acesso às redes, que estão conosco o tempo todo e exercem intenso fascínio sobre nós, colaboram com esse isolamento. Ninguém olha mais no rosto de ninguém. Ficam consultando seus celulares, isolados, durante todo o trajeto da viagem.
Quem vê parece que estão se importando com o mundo, lendo notícias em tempo real, engajados em alguma mobilização social, mas não estão. Se importam apenas com a própria posição e a autoexposição. Daí a constante informação sobre as viagens, os pensamentos, as emoções, as atividades de alguém. É preciso estar em cena e sempre. Há nisso um evidente desenvolvimento do narcisismo e, consequentemente, do reforço do distanciamento entre as pessoas.
Faz parte desse narcisismo o fato de as pessoas terem de tratar a si mesmas como se fossem mercadorias. Elas precisam escolher as fotos que melhor as apresentem, que as tornem atraentes e desejáveis. Aquelas que não souberem se vender correm o risco da invisibilidade e da exclusão.
Não sou a favor dessa exposição toda, e creio sim, que a curto prazo, o ser humano passará por uma mutação, como sempre foi ao longo da evolução segundo Darwin, e penso que será uma evolução negativa, um retardo, ou algo pior.

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